APARTAMENTO 41, de Nelson Luiz de Carvalho. São Paulo, Mandarim, 2001. 160p. Romance que trata da descoberta de novos sentimentos de um homem maduro, bem-sucedido, que após 15 anos de casamento resolve assumir sua homossexualidade e com isso perde o emprego e o amor de sua família.______
p.s! Comecei a ler hj,depois posto aqui uma boa parte...Comigo tudo na paz..carência na potência máxima, muito cansaço e muitas coisas fervilhando na cabeça.
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"......Extrovertida na época de namoro, Isabela aproximou-se de mim quase um ano após a morte de Rodrigo, que, além de ser o meu melhor amigo, foi a primeira pessoa por quem me apaixonei de verdade. Adolescentes, ‘Digo’ e eu éramos bem diferentes dos jovens de hoje. Inseguros e bloqueados psicologicamente por regras morais — nossas famílias foram sempre muito rígidas —, não éramos honestos um com o outro, nem quando podíamos. Na inocência espiritual de nossas almas — muito diferente do que acontece comigo hoje —, Digo e eu namoramos por quase um ano, sem nunca assumir para nós mesmos essa posição. Mágicos na essência, nossos momentos íntimos se faziam presentes nas pequenas coisas, como na vez em que Digo cortou o pé.
— Entre, Leonardo.
— Tudo bem com a senhora?
— Agora está... depois do susto que o Rodrigo me fez passar. Pode subir. Ele está descansando no quarto... e não repare na bagunça, Leonardo... é que acabamos de chegar do pronto-socorro.
— Claro que não, dona Elisabeth.
Com suaves batidas na porta do quarto, perguntei:
— Posso entrar?
— Claro que pode. Você não precisa pedir licença para entrar no meu quarto.
Deitado na cama, seu aspecto era meio pálido.
— Tudo bem, cara?
Com um sorriso, ele disse que sim.
— O que você aprontou dessa vez?
— Eu nunca apronto nada!
Rimos.
— Não, fala sério. O que aconteceu?
— Caí do telhado.
Comecei a rir.
—Você ri porque não foi você que caiu.
— O que você estava fazendo lá em cima?
— Fui trocar a antena e acabei escorregando numa droga de telha... — Até ele riu. — ... e aí caí no quintal, em cima daquela pia velha da cozinha que a minha mãe mandou trocar na semana passada.
— Quantos pontos você levou no pé?
— Cinco.
Dona Elisabeth entrou no quarto.
— Dá licença. Me ajude aqui, Leonardo.
Numa bandeja de madeira, dona Elisabeth trazia um pratinho com vários pedaços de bolo — acho que de cenoura, pela cor — e dois copos grandes de Nescau.
— Faça ele comer um pouco, Leonardo.
— Mãe, eu não estou com fome!
— São quase três horas e você ainda não comeu nada, Rodrigo.
— Mãe é mãe, Digo.
— Eu não estou com fome nenhuma.
— Mas você tá pálido, cara. Custa comer um pouco? Além do mais, deve ser de cenoura.
— É de cenoura! — ele sabe que eu adoro bolo de cenoura.
Pelo código do “deixar acontecer”, e sem dizer uma palavra sequer, Digo e eu ultrapassávamos o limite da amizade em busca dos desejos mais escondidos.
— Você não quer passar a chave na porta, Leonardo?
Sentando-me ao seu lado na cama — ele continuava deitado —, comecei a comer os pedaços de bolo que ele levava à minha boca, não sem antes morder um pedacinho.
— Você consegue ficar sentado na cama, Digo?
— Consigo.
Sentado com as pernas arqueadas e coberto por um lenço1 azul da cintura para baixo, Digo continuou a levar os pedaços de bolo à minha boca enquanto eu, já com a mão debaixo do lençol, acariciava suavemente o seu saco e coxas.
— Nescau, Leonardo?
— Quero.
Com freqüência masturbávamos um ao outro, utilizando situações comuns como pano de fundo e tendo como resultado muita, mas muita, sensualidade.
— Leonardo? — ele havia acabado de gozar.
— Fala!
— Queria que você tivesse estado comigo no pronto-socorro. Doeu muito, cara. Eles aplicaram a anestesia dentro do corte.
Nunca se espera que as coisas acabem. Mas elas acabam, de um jeito ou de outro. Tenho muita saudade de Rodrigo, o meu Digo.
— Leonardo? Leonardo?
— Isabela.
— Você está bem? Está pensando em quê?
—Na vida. No Rodrigo.
— Que Rodrigo?
Sorri.
— ‘Digo’ lhe é mais familiar?
— Nossa, Leonardo! Faz tanto tempo. Pare de pensar nos mortos.
Sei que ele não está mais entre a gente, mas me ofende a forma como ela fala dele.
— Não fale assim, Isabela.
— Mais salada?
Parei de comer, colocando os talheres delicadamente sobre a mesa.
— Posso ser muito honesto, Isabela?
Ela sorriu antes de responder.
— Pode.
Suspirei.
— O que rolava comigo e com o Rodrigo?
Isabela sorriu amarelo.
—Vocês eram amigos. Por quê?
Sorri como há muito não fazia.— Pare de representar, Isabela! Você sabe que entre nós dois havia muito mais do que amizade........."
"......Extrovertida na época de namoro, Isabela aproximou-se de mim quase um ano após a morte de Rodrigo, que, além de ser o meu melhor amigo, foi a primeira pessoa por quem me apaixonei de verdade. Adolescentes, ‘Digo’ e eu éramos bem diferentes dos jovens de hoje. Inseguros e bloqueados psicologicamente por regras morais — nossas famílias foram sempre muito rígidas —, não éramos honestos um com o outro, nem quando podíamos. Na inocência espiritual de nossas almas — muito diferente do que acontece comigo hoje —, Digo e eu namoramos por quase um ano, sem nunca assumir para nós mesmos essa posição. Mágicos na essência, nossos momentos íntimos se faziam presentes nas pequenas coisas, como na vez em que Digo cortou o pé.
— Entre, Leonardo.
— Tudo bem com a senhora?
— Agora está... depois do susto que o Rodrigo me fez passar. Pode subir. Ele está descansando no quarto... e não repare na bagunça, Leonardo... é que acabamos de chegar do pronto-socorro.
— Claro que não, dona Elisabeth.
Com suaves batidas na porta do quarto, perguntei:
— Posso entrar?
— Claro que pode. Você não precisa pedir licença para entrar no meu quarto.
Deitado na cama, seu aspecto era meio pálido.
— Tudo bem, cara?
Com um sorriso, ele disse que sim.
— O que você aprontou dessa vez?
— Eu nunca apronto nada!
Rimos.
— Não, fala sério. O que aconteceu?
— Caí do telhado.
Comecei a rir.
—Você ri porque não foi você que caiu.
— O que você estava fazendo lá em cima?
— Fui trocar a antena e acabei escorregando numa droga de telha... — Até ele riu. — ... e aí caí no quintal, em cima daquela pia velha da cozinha que a minha mãe mandou trocar na semana passada.
— Quantos pontos você levou no pé?
— Cinco.
Dona Elisabeth entrou no quarto.
— Dá licença. Me ajude aqui, Leonardo.
Numa bandeja de madeira, dona Elisabeth trazia um pratinho com vários pedaços de bolo — acho que de cenoura, pela cor — e dois copos grandes de Nescau.
— Faça ele comer um pouco, Leonardo.
— Mãe, eu não estou com fome!
— São quase três horas e você ainda não comeu nada, Rodrigo.
— Mãe é mãe, Digo.
— Eu não estou com fome nenhuma.
— Mas você tá pálido, cara. Custa comer um pouco? Além do mais, deve ser de cenoura.
— É de cenoura! — ele sabe que eu adoro bolo de cenoura.
Pelo código do “deixar acontecer”, e sem dizer uma palavra sequer, Digo e eu ultrapassávamos o limite da amizade em busca dos desejos mais escondidos.
— Você não quer passar a chave na porta, Leonardo?
Sentando-me ao seu lado na cama — ele continuava deitado —, comecei a comer os pedaços de bolo que ele levava à minha boca, não sem antes morder um pedacinho.
— Você consegue ficar sentado na cama, Digo?
— Consigo.
Sentado com as pernas arqueadas e coberto por um lenço1 azul da cintura para baixo, Digo continuou a levar os pedaços de bolo à minha boca enquanto eu, já com a mão debaixo do lençol, acariciava suavemente o seu saco e coxas.
— Nescau, Leonardo?
— Quero.
Com freqüência masturbávamos um ao outro, utilizando situações comuns como pano de fundo e tendo como resultado muita, mas muita, sensualidade.
— Leonardo? — ele havia acabado de gozar.
— Fala!
— Queria que você tivesse estado comigo no pronto-socorro. Doeu muito, cara. Eles aplicaram a anestesia dentro do corte.
Nunca se espera que as coisas acabem. Mas elas acabam, de um jeito ou de outro. Tenho muita saudade de Rodrigo, o meu Digo.
— Leonardo? Leonardo?
— Isabela.
— Você está bem? Está pensando em quê?
—Na vida. No Rodrigo.
— Que Rodrigo?
Sorri.
— ‘Digo’ lhe é mais familiar?
— Nossa, Leonardo! Faz tanto tempo. Pare de pensar nos mortos.
Sei que ele não está mais entre a gente, mas me ofende a forma como ela fala dele.
— Não fale assim, Isabela.
— Mais salada?
Parei de comer, colocando os talheres delicadamente sobre a mesa.
— Posso ser muito honesto, Isabela?
Ela sorriu antes de responder.
— Pode.
Suspirei.
— O que rolava comigo e com o Rodrigo?
Isabela sorriu amarelo.
—Vocês eram amigos. Por quê?
Sorri como há muito não fazia.— Pare de representar, Isabela! Você sabe que entre nós dois havia muito mais do que amizade........."





































