terça-feira

|loucuraxamorxciúme=paixão?|||||

Sobre o amor a paranóia. Ou: de como a loucura e a paixão se entretecem como sintoma uma da outra. Por uma excessiva atenção ao outro, seus movimentos, palavras, desejos. Como um paranóico, fico atento a cada um de seus passos, adivinho seus silêncios e o que há por trás de cada sorriso. De tão atento ao seu desejo, esqueço do meu, e só você importa. Como um paranóico, temo o dia em você será o responsável pela minha morte, pois como na paranóia, no amor o outro se transforma, aos poucos, e às vezes sem que o perceba, na única razão dos meus gestos, na única razão da minha loucura. E ainda que tudo isso pareça demais, e que todo o nosso amor não seja tanto assim, nem tudo, resiste ali um germe, um início. Da perda de si, do descontrole, de quando já nem sei o que penso ou desejo, para além de ti. Esse, o destino trágico de uma paixão, a combater com pequenos sorrisos, e a certeza de que pode haver mais encantamento na ironia que na dor. Para que a gente não nos leve tão a sério assim. Loucura é o amor, e o ciúme, do qual não se pode (mais) rir.

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